Como toda a comunidade educacional, fomos surpreendidos pelo Decreto Nº 54.758/09, do Sr. Governador do Estado de São Paulo, publicado no Diário Oficial do Estado de 11 de setembro de 2009, Seção I, página 4.
Esse decreto estabelece a possibilidade de deslocar as disciplinas de línguas estrangeiras da escola pública para os Centros de Estudos de Línguas (CELs) e destes para instituições privadas. Com efeito, no seu artigo 5º, se diz que, no caso de que a capacidade dos CELs se encontre esgotada, “a Secretaria da Educação poderá contar com instituições públicas e privadas que tenham por finalidade o ensino de idiomas, devidamente credenciadas para esse fim, observadas as disposições legais pertinentes”.
Por esse caminho se chega à terceirização das línguas estrangeiras da escola pública e, no caso da língua espanhola, considerando que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo não promove concursos para a contratação de professores de espanhol, isso é iminente. No entanto, o texto do decreto e sua interpretação da LDB permitem prever que o mesmo pode acontecer com a língua inglesa e outras línguas.
Desse modo, não apenas um componente da curricula ficaria sob interesses alheios ao sistema educativo regular, mas também cargos que poderiam ser ocupados por professores com estabilidade e direitos trabalhistas não serão criados, existindo em seu lugar uma concessão a empresas em que raramente estão garantidas as condições de trabalho.
A APEESP se propõe a agir em conjunto com as universidades que formam professores de línguas estrangeiras e com as organizações representativas dos docentes para promover a revogação desse decreto.
Nota: a APEESP está tentando agendar uma audiência com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo há anos. Desde 1º de junho de 2009 estamos protocolando os pedidos, mas ainda não recebemos nenhuma resposta. Clique para ver os pedidos: 01/06/2009, 22/07/2009 e 10/08/2009. Em 17 de agosto enviamos um e-mail à Ouvidoria da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que respondeu no dia 8 de setembro: "Entendemos a situação e já contatamos o responsável pela apreciação do pedido. Solicitamos que de prosseguimento ao pedido de audiência (Doc. 2150/0001/09). Obtivemos a informação que tão logo seja possível será encaminhada a resposta ao pedido. / Atenciosamente / Ouvidoria/SEE". Não compreendemos porque a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo não agenda uma audiência e nem mesmo responde aos pedidos. Não nos parece que isso corresponda à melhor forma de proceder e nem mesmo a uma forma aceitável em uma democracia, em que os governantes devem estar abertos ao diálogo com os diversos setores da sociedade.